sábado, 4 de agosto de 2007

Crepúsculo


Olá,

Não vim para encher o saco, por esta razão não deixei outra poesia. De certa forma vem pedir minhas últimas desculpas e principalmente para me despedir.

Um anônimo entrou no meu blog e deixou uma mensagem dizendo a coisa mais óbvia do mundo: não posso obrigar alguém a que me queira. Por mais incrível e claro que pareça eu realmente pensei que voltaríamos a nos falar se eu fosse insistente. Ledo engano.

Desculpas pela minha desatenção com contigo eu já tinha pedido, portanto agora eu queria pedir desculpa pelos transtornos dos últimos dias, não voltarão a acontecer.

Queria pedir uma última coisa: tenta não lembrar destes últimos episódios no futuro. Lembra das coisas legais que dividimos, pois foram muito legais mesmo. Pelo visto nosso ciclo encerrou por mais que eu tenha dificuldades em aceitar mas nem por isso você se transformará num monstro para mim. Não vou te pedir para voltar a falar comigo, não pedirei que me ame, mas estou pedindo com muito carinho que não me odeie, para mim será mais do que o suficiente.

Fica bem, muito cuidado que esta vida é cheia de sustos e surpresas.

De quem um dia te amou demais.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

sábado, 28 de julho de 2007

Palabras de una princesita

Elipse

Um imenso vácuo silencia minha vida
Pela primeira vez me fogem os dizeres
Sou nivelado por baixo a todos os seres
No sepulcro das sensações adquiridas

Satanás me busca, me atenda, me fustiga
Minha redenção está no lápis e no papel
Equilibrado no meio fio entre ânsia e fel
De peito aberto ao encontro desta briga

Se me ignoras quais as possibilidades
De entregar-te meu amor em palavras?
É uma pena que tudo acabe desse jeito

Insistência é meramente uma habilidade
Pois a estrada que antes nos conectava
Agora finda e recomeça no meu peito

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Masoquismo


Não amole, deixe-me aos maus tratos
A vida é também lá feita de desilusão
Acabou-se a expectativa mas o fato
É que a tristeza me aquece o coração

Dirão alguns parcos que sou louco
Pr´outros poucos mais que uma besta
Que a si próprio permite viver pouco
Tomado pela melancolia que infesta

Calem-se! Ao sair tranquem a porta
Deixem as chaves na gaveta do tempo
Guardem as palavras de esperança

Esta que em mim jaz distante e morta
Levada para o longínquo, no momento
O meu único prazer são as lembranças

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Dádiva da persistência


Resignação é o demônio em gemidos
A nos guiar para a fé condescendente
Num lampejo o todo fica sem sentido
Como a vida observada pelas lentes

Quem se rende nivela ao que se mata
Por toda esta vida nunca que me entego
Pois acredito na intermitência da chibata
Em terra de rei quem tem um olho é cego

Permanecerei durante toda esta jornada
Aguardando uma sentença que não finda
Carregando no coração o resultado

Se este é o meu destino vou na calada
O que me move no final é a sua vinda
Meu desejo é rir da cara do diabo

terça-feira, 10 de julho de 2007

Variação de humor - I

O tempo hoje é bem mais bonito
Muito mais radiante do que ontem
Faz-me questionar sobre o infinito
E as variações que os dias montem

Hoje alegre amanhã nem tanto
Semana em riso; o mês em pranto
Assim me passam os segundos
Dividido entre espaço e mundo

Se lhe tivesse apenas uma palavra
Mesmo sussurrada igual segredo
Ou enfiada no arame pelos dedos

Resgataria em mim esta safra
Sem discutir se tarde ou cedo
Livraria-me enfim deste medo

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Colóquio com a solidão I



Olá solidão, mas que linda manhã
Trouxe-nos este inverno adulterado
Agradeço-te novamente a febre terçã
Que meu espírito carrega como fardo

Saudade é o supremo estado da ausência
Que arremata em seus mínimos detalhes
Cheiro, gesto ou outro bem que calhe
De surpreender-nos em intermitências

Quisera poder respirar calmamente
Mas essa atmosfera toda me esmaga
Soterrado-me na estrutura desta viga

Mesmo em campo aberto minha mente
Não permite que a lembrança seja vaga
Faz meu futuro percorrer estrada antiga

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Bom dia

Bom dia minha afiada Cinderella
Cá estou, prometo ser rápido:
Sem ti a vida não vai tão bela
Mas não sustento desejo inválido

Poderias responder se te saúdo
Mas se não queres te compreendo
Ficarei por aqui a postar remendos
Na expectativa de te trocar miúdos

Muito te adoro, isso me incomoda
Parei no tempo, a saudade é foda
Queria-te palavras à moda antiga

Mas não queres nem ser uma amiga
então sendo muito franco e direto
É muita raiva por quem tiveste afeto

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Trégua


Já passados trinta minutos
Dos badalares da zero hora
Mais vinte quatro neste luto
Que em bytes posto agora

Prometo não ser tão persistente
Se não me queres neste amanhecer
Meu desejo agora é simplesmente
Escrever-te o amor até meu fenecer

Ficarei por perto como prometido
Cabeça erguida engolindo gemido
Registrando o quotidiano da saudade

Pelo que ainda me resta de idade
Escrever-te-ei solidário a fé
Quem sabe a montanha vá à Maomé

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Uma em mil




Como já disse: "escreverei mil vezes"
Por isso deixo-te nova investida
Continuo aqui, queria que soubesses
Não por agora, mas por toda a vida

O tempo que me transcorre é reflexão
Por minha ingratidão com o presente
Que deixei escorrer pela minha mão
E por essa razão se tornou ausente

O arrependimento é pior que a dor
Por que esta passa ou nos desfalece
Pois verdade é que não é para sempre

Entre seu amor ou ódio, seja como for
Tenta me apagar só não te esqueces
Nalguma vida repousarei em teu ventre

Fala comigo

Existe tempo para dizer que se ama?
Pois se existe diga qual é agora
Caso contrário nunca que vou embora
Mesmo que de ruim me fique a fama

Por que te incomodo se me detestas?
Palavras secas ao redigir os textos
Mil beijos fogem pelas frestas
Das entrelinhas dos seus desejos

Fala comigo, por favor, te peço
Como era antes sei não tem regresso
Mas se soubesses como machuca o não

Pouparia-nos de discutir milhares
Porque se desculpas não aceitares
Eternamente as pedirei em vão

Gume

Recomeço

Meu Deus, de fato tu tens razão
Portanto acabaram-se os lamentos
Não quero choro mas teu sentimento
Novamente enchendo o meu coração

E não me digas que nada sentiste
Porque a raiva do amor é irmã
Se me ignoras é por estar triste
Abre-me a porta do teu amanhã

Por favor não julgue se eu mereço
Não se enverede neste ledo engano
Pois uma história temos de belo

Sei que cabe para nós um recomeço
Prazer sou teu vizinho, brasiliano
Sobrevivendo na longínqua Maranelo

Retaliação

Lamento

Que mais me resta senão lamento?
Passar os dias a chorar o tempo
Que implacável somente avança
Ignorando assim minha esperança

Fui-te, sou-te, sempre haverei
De te ser leal mesmo sobre a lei
Mundana, divina ou outra qualquer
Que afaste o meu sonho de mulher

Perdoa se o descaso andou comigo
Não trate como a um inimigo
A quem só te quer felicidade

Estou resignado na amargura
Pois o que tanto me tortura
Será "Soledad" ou será Saudade?

Imutável

Toda a exuberância do firmamento
Resume-se na força da sua idade
Cerra seu mistério na simplicidade
Que apreciamos em frações de tempo

Significa que cabe por analogia
Explicação a esta falta angustiante
Pela qual meu âmago lépido silencia
E meu espírito lhe busca: amante

Absolutamente tudo na existência
Tem dois pesos e duas medidas
Alternados entre sorriso e pranto

Acima dos fatos está a essência
Pois mais que facadas e fadigas
Vejo a beleza do nosso encanto

Chá de sumiço

Como a pérola que se cerra
Enclausurada no seu mundo
Aguardando a cada segundo
Um despertar a nova terra

És uma agulha ora perdida
No palheiro das relevâncias
Assim trancada na distância
Te escondeste da minha vida

Se te somes de repente
Meu coração se angustia
A cada novo amanhecer

Pois sabe minha mente:
talvez seja algum dia;
quem sabe até morrer

Relatividade

Como posso esquecer-te simplesmente
Se o que me resta na vida é tua vida
Mesmo que o tempo afora me persiga
És tu o sentimento que me sente

A distância entre nós dois é uma mentira
Que o mundo nos impôs tão plenamente
Momentos raros como o brilho da safira
Desperta-me para estar-te frente a frente

Queria-te um sorriso, uma lágrima ou xingamento
Que fosse simples, único e meu a cada momento
Para me libertar do jogo insano do destino

Mas reservo-te o meu melhor : é um menino
Trancado dentro dum homem que finalmente
Deseja compartilhar-te espírito, corpo e mente