quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tempo e espaço


Para a próxima meia hora me bastaria o teu aroma
Para o próximo dia nada mais do que o teu abraço
Até o fim do mês uma lembrança que se soma
À perspectiva de um passado que eu não passo

Desejei com força te encontrar para te perder
Desejei tanto esbarrar-te na insensatez do dia-a-dia
Mas o tempo atravessou-me sem perguntar aonde iria
E cheguei à vida em que me tornei meu próprio líder

Não te esqueço, não me esqueço nem nos esqueço
Foste um dos mais lindos e efêmeros presentes
Que o tempo e o espaço me trouxeram num recorte

Por isso entendo que tua existência não tem preço
E agradeço em silêncio o que te tornas tão resiliente
Seja boa vontade ou mero acaso trazido pela sorte


sábado, 4 de agosto de 2007

Crepúsculo


Olá,

Não vim para encher o saco, por esta razão não deixei outra poesia. De certa forma vem pedir minhas últimas desculpas e principalmente para me despedir.

Um anônimo entrou no meu blog e deixou uma mensagem dizendo a coisa mais óbvia do mundo: não posso obrigar alguém a que me queira. Por mais incrível e claro que pareça eu realmente pensei que voltaríamos a nos falar se eu fosse insistente. Ledo engano.

Desculpas pela minha desatenção com contigo eu já tinha pedido, portanto agora eu queria pedir desculpa pelos transtornos dos últimos dias, não voltarão a acontecer.

Queria pedir uma última coisa: tenta não lembrar destes últimos episódios no futuro. Lembra das coisas legais que dividimos, pois foram muito legais mesmo. Pelo visto nosso ciclo encerrou por mais que eu tenha dificuldades em aceitar mas nem por isso você se transformará num monstro para mim. Não vou te pedir para voltar a falar comigo, não pedirei que me ame, mas estou pedindo com muito carinho que não me odeie, para mim será mais do que o suficiente.

Fica bem, muito cuidado que esta vida é cheia de sustos e surpresas.

De quem um dia te amou demais.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

sábado, 28 de julho de 2007

Palabras de una princesita

Elipse

Um imenso vácuo silencia minha vida
Pela primeira vez me fogem os dizeres
Sou nivelado por baixo a todos os seres
No sepulcro das sensações adquiridas

Satanás me busca, me atenda, me fustiga
Minha redenção está no lápis e no papel
Equilibrado no meio fio entre ânsia e fel
De peito aberto ao encontro desta briga

Se me ignoras quais as possibilidades
De entregar-te meu amor em palavras?
É uma pena que tudo acabe desse jeito

Insistência é meramente uma habilidade
Pois a estrada que antes nos conectava
Agora finda e recomeça no meu peito

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Masoquismo


Não amole, deixe-me aos maus tratos
A vida é também lá feita de desilusão
Acabou-se a expectativa mas o fato
É que a tristeza me aquece o coração

Dirão alguns parcos que sou louco
Pr´outros poucos mais que uma besta
Que a si próprio permite viver pouco
Tomado pela melancolia que infesta

Calem-se! Ao sair tranquem a porta
Deixem as chaves na gaveta do tempo
Guardem as palavras de esperança

Esta que em mim jaz distante e morta
Levada para o longínquo, no momento
O meu único prazer são as lembranças

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Dádiva da persistência


Resignação é o demônio em gemidos
A nos guiar para a fé condescendente
Num lampejo o todo fica sem sentido
Como a vida observada pelas lentes

Quem se rende nivela ao que se mata
Por toda esta vida nunca que me entego
Pois acredito na intermitência da chibata
Em terra de rei quem tem um olho é cego

Permanecerei durante toda esta jornada
Aguardando uma sentença que não finda
Carregando no coração o resultado

Se este é o meu destino vou na calada
O que me move no final é a sua vinda
Meu desejo é rir da cara do diabo